Olá, entre em contato com a redação do blog através do e-mail: humbertoruy@gmail.com

Segundo o estudante de psicologia Marco Aurélio, a vida não tem um sentido específico, mas pequenos sentidinhos!

Poucas coisas são tão prazerosas quanto fazer coincidir o término da descarga com o término do mijo, um esporte que eu batizei de mijo sincronizado; a pessoa começa a perceber que o mijo tá acabando, e já vai puxando a descarga enquanto calcula certinho o tempo de o último ronco da descarga coincidir com a última gota de mijo; e esse é só um dos esportes cotidianos que eu pratico com uma regularidade religiosa; tudo começou já na infância, quando eu me colocava pequenos desafios e estipulava duas coisas: uma punição caso eu não conseguisse cumprir, e uma recompensa caso eu fosse bem sucedido; eram coisas simples como “se eu conseguir chegar na esquina antes daquela velha, eu compro um fandangos no mercadinho; e se eu não conseguir, tenho que dar um grito bem agudo no meio da rua”; e lá ia eu apressando o passo pra alcançar e ultrapassar a velha; durante um bom tempo, já na adolescência, eu pratiquei incansavelmente o esporte que na época recebeu o nome de “porta sem encostamento”, que consistia em nunca encostar na porta pra entrar ou sair do de algum lugar quando alguém abrisse antes e soltasse; de longe eu percebia alguém entrando e já saía correndo pra ver se eu conseguia entrar pela porta sem encostar nela; fiquei tão bom nisso que comecei a contar e a manter um registro individual de quando e como eu tinha conseguido entrar ou sair sem encostar na porta, quem tinha aberto a porta antes, etc.; hoje em dia não é muito diferente; fico aqui sentado, daí boto uma música pra tocar, pego um café, e penso “vou fazer essa xícara de café durar o tempo certinho da música, quando soar a última nota eu vou pegar o último gole”, e fico olhando pro player enquanto tomo extremamente concentrado; às vezes eu tô lendo um livro e me mijando, mas eu não pauso a leitura pra ir mijar, eu penso “vou mijar quando terminar esse capítulo”, e ainda tem um fator extra: “e não posso olhar quantas páginas faltam pra terminar”; assim eu vou lendo e me segurando, até ver que o texto da página seguinte termina na metade; sinto uma alegria por saber que vou conseguir cumprir o prometido, e me dou até o trabalho de sublinhar algumas coisas pra demorar mais um pouco; termino o capítulo e vou correndo pro banheiro pra mijar e, obviamente, praticar a prazerosa modalidade chamada mijo sincronizado; foi praticando esses esportes com grande frequência no meu cotidiano, que eu percebi que é realmente claro que a vida não tem um sentido específico, mas pequenos sentidinhos que a gente mesmo coloca de acordo com a vontade; agora, por exemplo, tenho que sair de casa pra resolver algumas coisas, mas eu tinha prometido que só ia sair quando conseguisse escrever um texto carregado de mijo e de filosofia barata; pelo visto o texto tá pronto; e eu, livre.